Dia Mundial da Saúde Mental
“Experiências ouvidas: vozes reais, mudança real”

O tema deste ano do Dia Mundial da Saúde Mental, assinalado a 10 de outubro, convida-nos a refletir sobre uma dimensão essencial dos cuidados de saúde, a experiência de quem vive ou viveu dificuldades relacionadas com a saúde mental.
A investigação científica e a experiência clínica dos profissionais são pilares fundamentais de uma intervenção de qualidade. Contudo, existe uma dimensão de conhecimento que só quem vive ou viveu uma situação de sofrimento psicológico pode transmitir na primeira pessoa.
O que significa isto na prática clínica?
✓ Escutar sem julgamento, respeitar a história, a individualidade e o contexto de vida de cada pessoa, reconhecendo que pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar necessidades, experiências e objetivos muito diferentes.
✓ Construir relações terapêuticas de confiança, assentes na empatia, no respeito mútuo e na segurança.
✓ Promover a participação ativa e a decisão partilhada, envolvendo a pessoa na definição dos objetivos terapêuticos e na avaliação do seu percurso.
✓ Integrar a evidência científica com a experiência individual, considerando os valores, as e as necessidades de cada pessoa.
✓ Compreender a pessoa no seu contexto de vida, reconhecendo a influência das experiências pessoais, das relações familiares, do ambiente profissional, das condições sociais e dos acontecimentos de vida na sua saúde mental.
✓ Adotar uma abordagem integrada e multidisciplinar, promovendo, sempre que necessário, a articulação entre diferentes profissionais e especialidades, de forma a responder à complexidade das necessidades de cada pessoa.
✓ Promover a literacia em saúde mental, através de informação clara, acessível e cientificamente fundamentada, que permita compreender melhor as dificuldades, as opções terapêuticas e os recursos disponíveis.
✓ Reconhecer e valorizar as capacidades e os recursos individuais, considerando não apenas as dificuldades, mas também as competências.
✓ Respeitar os diferentes ritmos de mudança e recuperação, compreendendo que os processos terapêuticos não são necessariamente lineares.
✓ Envolver a família e a rede de apoio, quando adequado e com o consentimento da pessoa, reconhecendo a importância das relações significativas no bem-estar psicológico e nos processos de recuperação.
✓ Avaliar continuamente os resultados, considerando não apenas a evolução dos sintomas, mas também a percepção da própria pessoa sobre o seu bem-estar e os progressos alcançados.
Enquanto profissionais de saúde, sabemos que o conhecimento científico orienta a nossa intervenção, mas a escuta ativa, o respeito pela individualidade e a construção de uma relação terapêutica de confiança são centrais para conseguimos adaptar esse conhecimento à realidade de cada pessoa.
Equipa de Psicologia Clinica Navegantes




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